Charles Darwin, naturalista inglês, pai da Teoria da Evolução das Espécies, gostava muito de cães. Dois cães se destacaram na trajetória pessoal de Charles Darwin: Bob e Polly.
Bob, o cão dos estábulos, um mestiço de retriever preto e branco também figurava nos escritos de Darwin. O naturalista tomou-o como exemplo, no Expressão, para explicar o seu “princípio da antítese”, segundo o qual uma determinada expressão emocional era explicada como oposta, em manifestação física e significado comunicado, a alguma outra expressão que lhe teria servido de modelo evolutivo (BROWNE, 2003, p. 361). Era também a Bob que Darwin referia-se, no Expressão, ao descrever a “cara de estufa” adotada por um de seus cães, numa expressão de desespero absoluto ao dar-se conta que seu dono saíra de casa meramente para uma visita à estufa, e não para uma longa caminhada em sua companhia pelos campos
Polly era uma terrier branca que pertencia a sua filha Henrietta e, era tão devotada a Darwin quanto este era devotado a ela. Após o casamento de Henrietta, Polly permaneceu em Downhouse, a propriedade rural onde viviam os Darwin, e adotou Darwin como seu dono. A pequena terrier aparece no Expressão das Emoções nos Homens e Animais, como exemplo de expressões de comportamento inteligente e de atenção. Acompanhava seu dono e a família a toda parte, e deitava-se em um tapete aos pés do sofá onde ele repousava. Era ela o cão que dormia num cesto próximo à lareira de seu escritório, enquanto Darwin escrevia seus textos.
Quando Darwin estava se preparando para uma expedição, ela ia se deprimindo à medida que via os objetos do estúdio de Darwin serem empacotados. Quando notava que o estúdio começava a ser arrumado, ela se excitava, percebendo a proximidade de seu regresso. Era tão perspicaz que costumava tremer ou ficar com um ar de sofrimento quando Darwin passava por ela na hora do jantar, como se ela soubesse que ele falaria (como ele sempre falava) que “ela estava esfomeada”. Darwin costumava fazer ela pegar biscoito do seu nariz, e tinha um jeito carinhoso de explicar que ela deveria ser "muito boa manina", antes dela abocanhar o petisco. Nas suas costas, havia um tufo de pelos avermelhados. Ela sofreu uma queimadura neste local e o pêlo cresceu castanho ao invés de branco. Darwin costumava sugerir que esse tufo de pelo estava de acordo com a teoria da pangênese*. O pai de Polly era um Bull Terrier castanho, então esse pelo castanho que apareceu após a queimadura, mostrava a presença de "gêmulas" castanhas latentes. Ele gostava muito de Polly, e nunca demosntrou impaciência com a atençaõ que ela requeria. Ela morreu poucos dias após a morte de Darwin.
O cesto no qual ela dormia perto da lareira no estúdio de Charles Darwin na Down House, foi fielmente representado no desenho de Mr. Parson.

* PANGÊNESE: - primeira hipótese de que se tem notícia sobre hereditariedade. Proposta em 410, por Hipócrates - médico e filósofo grego ( 460 a.C. - 377 a.C ) - conhecido como o "pai" da Medicina e também como um dos "pais" da Genética. Segundo a pangênese, cada órgão ou parte do corpo de um organismo vivo produziria partículas hereditárias chamadas gêmulas, que seriam transmitidas aos descendentes no momento da concepção. Essas gêmulas, produzidas e provenientes de todas as partes do corpo, migrariam para o sêmen e seriam passadas para os filhos. O novo ser construiria seu corpo a partir das gêmulas recebidas dos pais. Esse método de investigação científica não é correto, mas tem valor, pois Hipócrates foi capaz de identificar o problema a ser investigado, talvez o passo mais difícil do procedimento científico, propondo uma hipótese criativa e plausível para a herança dos caracteres. Essa explicação foi aceita até o final do século XIX. Charles Darwin chegou a adotá-la como explanação para a hereditariedade, o que, mais tarde, trouxe críticas à sua teoria evolucionista.
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